GRAVIDEZ E DOENÇAS REUMÁTICAS

Dr. Alex Eickhoff
Médico Ortopedista e Traumatologista
CONE – Centro Ortopédico e Traumatológico Eickhoff

As doenças reumáticas, e sob esta designação estão mais de 100 diferentes tipos de doenças, podem ser debilitantes numa fase precoce da vida, necessitando de tratamento constante com um ou mais medicamentos, fisioterapia, cirurgias e mudanças nos hábitos de vida.

Como estas doenças acometem muitas mulheres na época de ter filhos, a dúvida surge quanto à viabilidade da gravidez, com os riscos e temores que poderiam surgir tanto para a mãe quanto para o feto.

A gravidez é um período que exige cuidados especiais. Fazer o controle pré-natal é a melhor segurança para a mãe e a criança. No caso da mulher com doença reumática, os cuidados devem ser redobrados. Inicialmente, é fundamental discutir com o médico responsável pelo tratamento quais os riscos que podem ocorrer durante a gravidez e como estes podem ser contornados. Depois de vencida esta fase, proceder a mesma discussão com o médico obstetra e, de preferência, solicitar uma conferência dos médicos para que um plano seja estabelecido para o transcorrer da gestação.

A gravidez deve ser planejada e, se possível, num momento em que a doença esteja controlada e as medicações utilizadas apresentem baixo risco para o feto. Desaconselha-se a gravidez sempre que a doença não estiver bem controlada ou haja dano importante de algum órgão interno da futura mãe, como coração ou os rins. Esse cuidado é importante porque existe a possibilidade de alterações reumáticas na gravidez e descompensação de outras partes do corpo comprometidas pela doença.

Entre as doenças reumáticas, as duas que mais causam preocupação são a artrite reumatóide (AR) a o lúpus eritematoso sistêmico (LES), pois são as mais freqüentes nesta faixa etária e as que requerem maiores cuidados. A AR é uma doença inflamatória crônica, que causa dor, inchaço, perda de funções de articulações e inflamação de outros órgãos. Atinge três vezes mais as mulheres que os homens, principalmente na faixa etária de 20 a 45 anos. Cerca de 70% das pacientes com AR apresentam alívio dos sintomas durante a gestação e até 18 meses após o parto. Ainda não há explicação científica para isto. Contudo, algumas pacientes apresentam piora do quadro durante a gestação, o que pode exigir modificação das medicações para melhor controle dos sintomas.

O LES é uma forma de reumatismo que atinge principalmente mulheres jovens. É uma doença de difícil diagnóstico, por causa da grande variedade de sinais e sintomas; pode comprometer diversos órgãos, como os rins, os pulmões e o coração. Na gravidez, um terço das pacientes permanece com a doença estabilizada, um terço apresenta piora e um terço apresenta melhora dos sintomas. O planejamento da gravidez é fundamental, pois a recomendação é que o LES não pode estar em atividade 6 meses antes da concepção. Geralmente não há dificuldade para a paciente com LES engravidar, mas para completá-la com êxito.

As doenças reumáticas não impedem que um casal tenha filhos, mas exige um planejamento cuidadoso e busca de orientação quanto às implicações da doença sobre a mãe e a criança.

 
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