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O SÉCULO DA ARTROSE
Dr. Alex Eickhoff
Dr. Paulo F. L. Fagundes
Médicos Ortopedistas e Traumatologistas da Clínica São Vicente
Três de Maio-RS
Artigo publicado em fevereiro de 2005, no Cooperjornal de Três de Maio.
A osteoartrose é a doença reumática mais comum e, para alguns especialistas, atinge uma camada da população tão grande que deveria ser considerada como uma epidemia. Este aumento na freqüência da doença está vinculado as mudanças de estilo de vida que ocorreram nas últimas décadas. O estímulo constante para praticar esportes, associado ao aumento de peso gradativo da população e o sedentarismo (este, fazendo com que a prática de esportes seja irregular), aumentaram o impacto sobre as articulações, ocasionando lesões.
As articulações apresentam as superfícies ósseas revestidas por cartilagem. A função primordial desta cartilagem é a absorção de impactos, ficando mais fácilr imaginar o seu funcionamento comparando-a com uma esponja. Esta “esponja” contém no seu interior uma grande quantidade de água e, quando submetida à compressão, como a cartilgem dos joelhos, quadris e tornozelos durante o caminhar e correr há um extravazo de água da cartilagem para o interior da articulação. Quando a força exercida sobre a cartilagem diminui, esta água retorna para o seu interior e aproveita para carregar nutrientes. Isto ajuda a compreender porque pessoas com artrose que praticam esportes de maneira correta e orientada apresentam progressão retardada da doença, pois fazem com que a cartilagem que ainda não foi atingida permaneça bem nutrida e saudável.
O aumento constante de pacientes para tratamento obrigou os cientistas a buscar um melhor entendimento da doença e mudar o pensamento que a artrose é um processo normal do envelhecimento, como os cabelos brancos e as rugas. Sempre surgia a pergunta: “Sendo um processo normal do envelhecimento do ser humano, por que alguns pacientes desenvolvem o problema e outros não?” As respostas para esta questão são várias e ainda falta um completo entendimento, mas parece bastante claro que há um componente genético importante (alguns estudiosos falam de 40 a 60% a chance de membros da mesma família desenvolverem a doença). Um estudo realizado na Finlândia tem mostrado que artrose nas mãos pode estar associada a outras doenças, como problemas cardíacos, o que corrobora que não existe uma explicação simples para as causas da artrose.
A osteoartrose apresenta-se com dores ocasionais em uma ou várias articulações. No início, estes sintomas regridem com o simples repouso, mas a progressão das lesões é acompanhada de um agravamento dos sintomas, com inchaço das articulações e dor constante e mais severa. O diagnóstico nas fases iniciais é difícil, pois alterações no Rx podem levar anos para aparecerem após o inícios dos sintomas. O exame de ressonância magnética permite um diagnóstico precoce, mas é caro e pouco acessível. Nas fases avançadas da doença, o Rx demonstra com clareza as lesões articulares.
O tratamento é inicialmente com analgésicos, antiinflamatórios, atividade física bem orientada, fisioterapia, perda de peso e uso de calçados que absorvam impactos, preferencialmente tênis. Novas medicações protetoras da cartilagem estão sendo desenvolvidas e os seus resultados parecem promissores. Quando as medidas acima não apresentam resultado, faz-se necessário o tratamento cirúrgico. As opções de tratamento cirúrgico são várias e vão desde um procedimento artroscópico, minimamente invasivo e de rápida recuperação, até as próteses de quadril, joelho e ombro. Nos últimos anos, foi possível fazer a cartilagem articular crescer em laboratório, o que tem permitido o transplante de cartilagem, área que tem sido muito estudada e gera grande esperança nos médicos e pacientes.
Contudo, sabemos que ainda não há cura para as lesões da cartilagem articular. Assim, como em toda e qualquer doença, o melhor tratamento é a prevenção através de atividade física regular, bem orientada e de baixo impacto, hábitos de vida saudáveis, manutenção do peso adequado e uso correto de calçados.
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